segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma ida ao Rastro

Em Portugal diria "dia de mercado", aqui (e como "em Roma sê romano") digo "día del retiro".
O Retiro é o mais popular e maior mercado que existe em Madrid e é feito todos os domingos num horário, mais ou menos, entre as 9h até às 15h da tarde entre a Calle de Embajadores e a Ronda de Toledo. É uma tradição que já tem alguns anos e, ao contrário do que por vezes sucede no nosso Portugal, não caiu nem cairá tão cedo nas memórias dos madrilenos.
Embora o frio continue, tal não impede que um número exorbitante de pessoas, entre elas turistas e não turistas, dê um saltinho senão a toda a parte do Rastro - que é enorme - pelo menos a uma parte do mesmo, para, e perante tamanha crise, economizar uns bons euros e comprar aquilo que lhe falta, e/ou ainda algo extra, a um preço de se lhe "tirar o chapéu". Todavia, também se encontra algumas coisinhas um bocadinho mais cáras, tendo em conta que estamos num mercado. Ainda assim, se soubermos negociar, podemos chegar ao preço (quase) desejado.

Devo dizer-vos, caros leitores, que me fartei de andar, de ser empurrada e espezinhada e, mesmo assim, acabei por não ver todo o Rastro. É impossivel. Não só pelo número de gente que lá se encontra mas devido ao seu tamanho que esgota uma pessoa (e as horas, também).

O Rastro tem de tudo um pouco: desde colares (mãe,seria a tua perdição), a tachos, passando por cachecois, cuecas, meias, brinquedos, blusas, camisolas, casacos, calças, vestidos, malas e mais malas, sacos, óculos, chapéus, luvas... tudo o que uma grande superficie comercial tem e a um preço mais barato.


O pior é que com tanto andamento, uma pessoa começa a ter fome. Mas nada que não se resolvesse com uma grande bolcaha americana (embora o que apetecesse não fosse bem isso,mas... até soube bem).

(Raquel, eu e uma nova companheira de "aventura", Vincenza [espero que o nome não esteja mal escrito], uma Erasmus italiana)

Há tanta coisa para ver no Rastro, que muitas delas acabamos por passar à roda sem perceber/ligar ao que realmente são. Foi o caso de uns cartazes com toureiros ou então com um pare de dançarinos sevelhanos que por diversas vezes vi, mas só mesmo no final tomei atenção ao que realmente era.


Aqui está um exemplo desses cartazes. Passo a explicar: as pessoas escolhem o cartaz que querem e, na hora, com vários carimbos com as letras do alfabeto (obviamente), o senhor ou senhora que os esteja a vender escreve o nosso nome (daí o "votre nom ici") no cartaz. Assim, somos nós os protagonistas de algo que está a ser anunciado. Digo-vos, desde já, que tem bastante saída.

Mas não só de coisas boas o Rastro é feito. Como não podia deixar de ser, os profissionais dos assaltatos também não deixam as suas "tendas ambulantes" longe deste magnifico espaço aglomerado de gente, onde tirar uma carteira de uma mala ou de um bolso, é tão fácil como tirar um brinquedo a uma criança.

Os próprios livros-guia recomendam tomarmos muita atenção a isso. Escusado será dizer que nunca tinha agarrado tão bem na mala como agarrei naquela fria mas ensolarada manhã de domingo. Nada aconteceu e espero não vir a acontecer. Basta tomarmos um pouquinho mais de atenção.


Depois do Rastro e como a fome já voltava a atacar, decidimos ser tipicamente espanhois e fomos às tapas.

Segundo o que a professora de espanhol da Raquel lhes disse (uma vez que não tenho horário para frequentar tal aula), é costume haver vendedores de tapas no próprio Rastro, mas nós não encontrámos. Talvez estivessem na outra ponto do grande mercado.

Então fomos até um restaurantezinho, as duas portuguesas e a italiana. O Renny e a Sónia também foram ao Rastro connosco mas, embora tenham ambos nascido na venezuelana, decidiram ser bons portugueses e ir comer a casa as belas das costoletas que por lá tinham.

A Sónia dizia que as tapas não eram almoço para ninguém. Na verdade até tinha razão, mas nós até não ficámos com fome e fomos super bem atendidas por um senhor que nos perguntou logo de onde éramos (note-se o sotaque e o não saber conjugar alguns tempos verbais a denunciarem-nos) e foi bastante atencioso. Até agradeceu em português e disse-nos que podiamos falar no nosso idioma porque ele era da Galiza e percebia muito bem o português. Mas lá está, fizemos bem o nosso papel e hablámos en castellano.

Como o desejo das tapas era tão grande, nem chegámos a tirar fotografias às mesma. Ou melhor, até tirámos mas já estava no fim e não vou postar aqui, porque senão, em vez de inveja iriam sentir um pouco de... "nojo" (não no sentido literal da palavra). Lol

Por isso, dêem asas à vossa fértil imaginação e pensem em pedaços "pseudo grandes" de pão com queijo fundido, outros com presunto e ainda com tortilla.

3 comentários:

Anónimo disse...

belo local para compras de natal

Catarina disse...

maria... se eu ai for e apanhar um domingo podemos ir ao rastro? loool preciso de comprar cuecas lool kidding :P

pareceu-me bem sim senhora :P

Lembra-me para te contar a minha aventura no comboio ihihih (digamos que envolve crianças... e eu como inda mais criança lool)

Belo domingo o teu, si senhora :P

Anónimo disse...

Ola afilhada,

Tou a ver que por ai é só passeios, fazes tu muito bem... Aproveita ao maximo esta experiencia!

Adorei as fotos e a descrição do mercado, é sem duvida um sitio que quero ir visitar, e já sei... Agarro bem a carteira! lol

Tambem gostei muito do cartaz de tourada do estilo souvenir, esses espanhois são demais... he he

Beijokas do padrinho que por cá anda nas arabias!

Fico à espera de ler mais aventuras madrilenas... BEIJO